De tempos em tempos, vale a pena rever os processos de qualquer operação para identificar gargalos que podem estar impactando a produtividade. Não é diferente no caso da gestão de lavanderia industrial, hospitalar ou hoteleira, que precisa ter um fluxo de trabalho muito bem coordenado para garantir o melhor uso da mão-de-obra e evitar desperdício de tempo e dinheiro.

Para ajudar na identificação dos erros clássicos na gestão de lavanderia industrial e buscar soluções para otimizar os processos e ampliar a eficiência, conversamos com os especialistas Othon Barcelos, presidente da Associação Nacional das Empresas de Lavanderias (Anel), e Anderson Silva, gerente de facilities do hotel Grand Hyatt São Paulo. A lavanderia do hotel, onde Anderson trabalha há 16 anos, lava cerca de 70 toneladas de roupas por mês, entre toalhas de mesa e guardanapos das 110 mesas do restaurante e toalhas de banho e roupa de cama dos 470 apartamentos. Confira a seguir:

Gestão de lavanderia: triagem

A falta de estratégia na operação de triagem das peças que seguirão para a área molhada pode levar a equipe a fazer duas triagens com diferentes focos: a contagem inicial, separando por tipo de peça, e depois outra classificação por tipo de sujidade (cada nível de sujeira demanda um tipo e tempo de lavagem e uso de determinado produto). “As lavanderias industriais patinam muito nessa parte, o que gera grande desperdício de tempo. O ideal é que o funcionário da triagem já visualize o tipo de mancha e coloque nos cestos específicos, para ganhar produtividade. É um processo mais econômico”, comenta Anderson.

LEIA MAIS: Lavanderia industrial: saiba como migrar sua secadora para o GLP

Área molhada

Lavanderias industriais que utilizam máquinas lavadoras e extratoras independentes uma da outra acabam perdendo muito tempo na transferência das peças. Além disso, esse processo também gera enorme desgaste da mão de obra. Isso porque em uma lavadora industrial com capacidade para 50 kg de roupa, as roupas, depois de molhadas, triplicam de peso. “É um esforço físico enorme e esse funcionário já não estará rendendo no final do expediente. Esse processo também demanda muito espaço físico para fazer a retirada de todo esse volume”, explica o gerente do Grand Hyatt São Paulo.

Outro ponto negativo de trabalhar com duas máquinas independentes é que a área de operação acaba ficando úmida demais. A solução apontada pelo especialista para resolver este gargalo na gestão de lavanderia é a aquisição de um equipamento que reúna as duas funções. “Quem faz a gestão da lavanderia deve entender que o investimento no maquinário retorna em produtividade”, garante.

LEIA MAIS: Lavanderia industrial: como decidir entre secadora a gás ou elétrica?

Secagem

O segredo nessa etapa é fazer a secagem conforme as categorias de roupas, porque cada uma exige um tempo diferente. Enquanto 60 kg de toalhas demandam um ciclo de 50 minutos, no caso de roupas planas, como fronhas e toalhas de mesa, esse tempo cai para 10, segundo Anderson.

Outro recurso que contribui para a melhor gestão de lavanderia é a Ultragaz Lavanderias. A solução foi desenvolvida pela empresa para clientes que utilizam seu GLP com abastecimento a granel. Ela se adapta a qualquer modelo de secadora a gás. A partir de um preciso controle de temperatura e umidade realizado por sensores, ela aumenta a eficiência do sistema de secagem de roupas em até 15%.

O cálculo do tempo de secagem de cada ciclo é feito conforme o tipo de roupa: toalha, lençol, cobertor ou roupa. Ao final, é emitido um sinal sonoro avisando a equipe que a roupa está pronta para ser enviada para a etapa seguinte. O sistema evita que a equipe tenha de fazer esse controle manualmente. De acordo com Anderson, isso ainda ocorre em cerca de 60% das lavanderias industriais. Esse processo mais amador de checagem pelo tato não é seguro para a equipe, além de tornar o fluxo mais lento e impactar a padronização dos resultados.

LEIA MAIS: Ultragaz Lavanderias: solução leva eficiência para secadora a gás

Calandragem

Othon Barcellos, presidente da Anel, lembra que outro erro comum na gestão de lavanderia é usar revestimentos têxteis ruins na calandra, o que faz com que o equipamento perca de 30% a 40% de eficiência. “Como esses feltros têm um valor elevado, é comum que economizem neste quesito. Usando materiais com qualidade inferior ou não trocando com a periodicidade recomendada, a cada seis meses. Com isso, é preciso passar cada peça de roupa por um tempo bem maior.”

Há mais uma oportunidade de otimização do processo na etapa de calandragem, conforme aponta Anderson Silva. Ele sugere destacar alguém da equipe para fazer a abertura do enxoval antes de enviá-lo para a calandra. Só o fato de a roupa de cama não chegar toda embolada e já estar com as pontas juntas torna o processo na calandra muito mais rápido.

Existem ainda equipamentos que podem ser acoplados ao equipamento que já dobram e empilham as peças em blocos de dez unidades depois de passadas. “Há alternativas e a decisão de quem faz a gestão de lavanderia deve se basear na análise da relação custo-benefício. Vale checar se tem como designar parte da equipe pra fazer a abertura prévia do enxoval ou se prefere dedicar mais tempo de uso da calandra. Ou, na fase final do processo, se o custo do equipamento compensa ou prefere seguir com equipe dedicada à dobragem e empilhamento”, diz Silva.